Ossétia do Sul, Geórgia e Rússia: Causas nobres VS Segundas intenções

Agosto 13, 2008

Desde 1989 a Ossétia do Sul se considera uma região autônoma, independente da Geórgia. De lá pra cá, o sentimento separatista é forte; houve conflitos armados no começo da década passada, e a Ossétia do Sul chegou até a elaborar sua constituição própria e eleger seu Presidente. Mesmo assim, a região continua sendo parte do território da Geórgia, oficialmente.

Em 08 de Agosto deste ano a Geórgia invadiu a cidade de Tskhinvali, capital da Ossétia do Sul, na tentativa de usar o relativo período de paz por causa das Olimpíadas de Pequim para assegurar seu controle sobre a região, que possuía soldados russos em Forças de Paz.

Obviamente o mundo não se distraiu por causa das Olimpíadas. Porém, a Rússia enviou tropas ao território da Geórgia. Este “contra-ataque” é polêmico e repleto de interesses secundários. A Ossétia do Sul reivindica sua independência, e a Rússia apóia esta separação, que contradiz sua postura de reprovação da separação de Kosovo em relação à Sérvia. Por outro lado, a Geórgia não quer se desfazer de seus dois territórios separatistas: a Ossétia do Sul propriamente dita e a Abkhazia.

Novamente temos uma causa nobre de separatismo cercada de “velhos” interesses geopolíticos. A Geórgia tem o apoio do Ocidente, especialmente dos EUA, e a Ossétia do Sul recebe apoio do governo russo, que está mais interessado em reassumir o controle territorial sobre a região, ampliando suas fronteiras. Há também preocupações econômicas com a vizinha Geórgia, pois o país possui uma crescente economia e se projeta como um concorrente ao petróleo russo.

O resultado disso é uma guerra entre Geórgia e Rússia, onde o próprio Conselho de Segurança da ONU não consegue intervir (reforçando a teoria de que este CS só apoia ações de interesses Norte-Americanos, e se abstém aos problemas que não concerne aos EUA).

Há no mundo várias regiões que buscam sua independência, e os países “suseranos” buscam reprimir estes movimentos da forma que é possível (geralmente por intervenções militares deste tipo). Um caso recente de não militarismo foi o Tibet, que nas vésperas das Olimpíadas realizava seus protestos, mas foi sufocado pelo governo Chinês (com sua incontestável expressividade militar). O mundo está cheio de países “embrionários” que aos poucos (e com muita luta) vão registrando sua independência na história.


Separatismo: Vamos desmontar o Brasil!

Março 19, 2008

Você já pensou se o Brasil que conhecemos hoje se desmontasse em 3 novos países? Este é um assunto bastante polêmico, mas tenho certeza de que muitos já pensaram nas possibilidades de dissolver a “indissolúvel República Federativa do Brasil”.

O foco deste relatório é estritamente econômico. Não pretendo abordar as questões regionais dos estados envolvidos, para não dar margem para interpretações racistas com meu estudo.

Sabemos que o hoje o Brasil é um gigante econômico dos países em desenvolvimento, com seu PIB equivalente a 2,1 trilhões de reais, distribuídos por seus 184 milhões de habitantes resultando num PIB per capita de R$ 11.669,79 (dados de 2005 - IBGE).

São números razoáveis, se a estrutura administrativa da política brasileira não fomentasse tanta desigualdade social. 33,9% desse PIB vem do estado de São Paulo, ao passo que outros estados mais fracos economicamente respondem por 0,7%, como é o caso das Alagoas, ou 0,1% do PIB, no caso de Roraima. No entanto, os 3 estados têm a mesma representatividade no senado: 3 senadores para cada estado. Além disso, a Câmara dos Deputados Federais parece não seguir a mesma desigualdade, mas gera absurdos equivalentes. De acordo com nossa obsoleta constituição, cada estado deve eleger um mínimo de 8 e um máximo de 70 deputados, de acordo com seu número de votos válidos. Se analisarmos a média de eleitores por deputado no Brasil, que é de 245.277, temos que o Rio Grande do Sul corresponde a esta média: 250.019, e responde por quase 7% do Produto Interno Bruto. São Paulo, que representa o maior número de eleitores, traz a média de 400.539 eleitores por deputado. Já Roraima traz a menor média: 29.199 eleitores por deputado. Ou seja, o voto de 1 cidadão de Roraima equivale ao voto de 13,7 cidadãos de São Paulo, na composição da Câmara dos Deputados Federais. E este é o retrato da desigualdade de nosso Congresso, que faz com que o direcionamento dos esforços do Executivo precise atravessar esse pântano de desigualdades para chegar no cidadão brasileiro.

Todos sabem que esta distribuição de renda é injusta. E que esse formato de Federação é um incentivo à corrupção, sobretudo nas áreas mais pobres, e que menos respondem pelo PIB do país. Já que não temos autonomia para cada unidade federativa, como funciona nos Estados Unidos, todos estamos submetidos às mesmas regras de um Estado centralizador que é o Brasil.

E se separássemos o país, com base em sentimentos de emancipação já existentes? Como ficariam as coisas ?

A Guerra dos Farrapos marcou nossa história com a declaração de independência de dois novos países, a República Juliana (SC) e A República Rio Grandense (RS). Esse sentimento separatista ainda existe nos brasileiros no Sul do país. Se somássemos a representação econômica de cada um dos 3 estados sulistas, teríamos a seguinte situação:

  • Rio Grande do Sul - PIB: 144,3 bilhões de reais; População: 10,6 milhões de habitantes.
  • Santa Catarina - PIB: 85,3 bilhões de reais; População: 5,9 milhões de habitantes.
  • Paraná - PIB: 126,6 bilhões de reais; População: 10,3 milhões de habitantes.

Juntando-se os 3 estados (que possuem suas similaridades sócio-econômicas) temos um país com a seguinte economia: PIB: 356,2 bilhões de reais; População: 26,8 milhões de habitantes; PIB per capita: R$13.291,04.

A Nova República Rio Grandense, ou República Farroupilha, ou República do Sul do Brasil, teria um aspecto semelhante ao de países vizinhos sul-americanos (Argentina e Chile no exemplo a seguir), e chegaria perto da economia de um país europeu de menor poderio econômico (Portugal ou países do leste europeu) . Vejamos o quadro comparativo:

  • República do Sul do Brasil: PIB: 356,2 bilhões de reais; População: 26,8 milhões de habitantes; PIB per capita: R$13.291,04.
  • Argentina: PIB: 364 bilhões de reais; População: 39,5 milhões de habitantes; PIB per capita: R$9.215,19.
  • Chile: PIB: 229,2 bilhões de reais; População: 16,6 milhões de habitantes; PIB per capita: R$13.807,23.
  • Portugal: PIB: 364 bilhões de reais; População: 10,6 milhões de habitantes; PIB per capita: R$34.339,62.

Argentina e Portugal possuem aproximadamente o mesmo PIB, mas essa riqueza dividida entre toda a população gera um PIB bem diferente, mostrando um abismo econômico entre os dois países. A Nova República teria uma distribuição de renda parecida com a do Chile, que é um dos países emergentes entre os chamados países em desenvolvimento.

Agora vamos desmontar esse Brasil varonil mais uma vez e fundarmos a República Paulista:

  • São Paulo: PIB: 727 bilhões de reais; População: 40 milhões de habitantes; PIB per capita: R$18.175,00.

A República Paulista teria uma economia quase “escandinava”. Vamos comparar com a Suécia:

  • Suécia: PIB: 711 bilhões de reais; População: 9,1 milhões de habitantes; PIB per capita: R$78.131,87.

Nota-se que em riqueza absoluta, São Paulo supera todos estes países que comparamos, inclusive a Suécia. Mas, pela distribuição de renda, ganha-se muito mais na Suécia do que na recém fundada República Paulista.

E o resto do Brasil, como fica? Se excluírmos São Paulo e o Sul, o restante do Brasil, cuja economia seria encabeçada por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, a República “do que sobrou do Brasil” teria a seguinte configuração:

  • Resto do Brasil: PIB: 1 trilhão de reais; População: 117,2 milhões de habitantes; PIB per capita: R$9.078,84.

Ou seja, ainda assim seria um país com distribuição de renda equivalente ao da Argentina. Mas, se somássemos o poderio econômico das duas novas Repúblicas, e fundássemos a República Paulista-Rio Grandense, teríamos uma economia superior à do restante do “outro Brasil”:

  • São Paulo + Sul: PIB: 1,1 trilhões de reais; População: 66,8 milhões de habitantes; PIB per capita: R$16.215,57.

E então? Convencidos de que “Não és tu Brasil a pátria amada”? Criou-se um sentimento de identidade brasileira que não existe em nossos corações na mesma forma em todos os lugares. Há vários “Brasis” aqui dentro, e ainda possuímos as mesmas desigualdades da época do Império Brasileiro. E como eu sempre digo, todo império tem seu tempo contado. Talvez um dia essa brincadeira matemática que você leu aqui se torne realidade e então eu teria sido um profeta mal compreendido em meu próprio tempo.

Vamos desmontar o Brasil.

Davi - 19/03/2008

Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2005). Almanaque Abril 2008. Cotação do dólar americano (2007): R$1,99 para conversão do PIB (2005) dos países citados.


Kosovo - Um novo país

Março 18, 2008

Kosovo é uma região que já foi palco de disputas territoriais desde seu nascimento, sendo tomado pelo Império Otomano, pela Albânia, Iugoslávia e Sérvia. Em Fevereiro de 2008, seu parlamento decreta a independência do páis, sob o domínio sérvio, cuja minoria étnica ocupa o país, de maioria albanesa.

Após a declaração de independência, EUA, União Européia e Japão já reconheceram Kosovo como um novo país soberano. Sérvia e Rússia se recusam a reconhecer a independência do país.

Russos e servos ainda choram o legado de seus impérios desfragmentados. União Soviética e Iugoslávia já descansam na história, e até hoje existem países buscando sua independência em meio aos destroços de seus suseranos. A Chechenia até hoje luta para se manter independente. Os russos não aceitam. Montenegro separou-se da Sérvia recentemente, ou seja, mesmo os destroços ainda podem estilhaçar mais um pouco.

Onde há etnias sem identidade de pátria, há separatismo. Por mais que grandes potências queiram estabelecer fronteiras virtuais a estes povos, enquanto a etnia mantiver sua cultura, será uma questão de tempo até buscarem sua independência. Foi assim com os povos invadidos por Grécia, Roma, Pérsia, Árabes e Otomanos. No século passado, após a segunda guerra mundial, a Europa voltou ao seu estado de potência colonizadora e transformou o continente africano em um latifúndio europeu, separando irmãos e tribos inteiras. Um dia todos esses povos terão sua independência, pois eles sonham com a pátria que lhes foi roubada. Assim será a Palestina. Nenhum império, por mais poderoso que fosse, sobreviveu a esse sentimento de pátria de seus povos vassalos.

Que a República do Kosovo seja soberana e duradoura. E que em breve outros possam trilhar os mesmos caminhos.